Ser milho ou ser pipoca????
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui.
Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Esse maravilhoso texto é do teólogo, pedagogo, filosofo e psicanalista, Rubem Alves.
Tenham todos um ótimo final de semana, que o sol apareça, que o frio não judie demais.
beijos e muitos carinhos







4 comentários:
Fácil não é Ne menina...mesmo assim, melhor ser pipoca!
Bj
Patricia
Patipins.blogspot.com
Me vi retratada neste texto...pois a um ano e tres meses me acidentei de moto e fraturei(exposta) minha perna esquerda, faz um mes que estou andando sem ajuda de muletas e realmente após uma dor grande a gente dá valor ao que antes parecia ser insignificante, mesmo que seja ir a pé no mercado da esquina. perdi muitas oportunidades nesse ano todo e hoje valorizo cada segundo que passo...obrigada por seu texto, me fez relembrar o que é bom!
Oi, querida... sem dúvida, sou pipoca!!!! rs
Adoro Rubem Alves.
Bjs!!! Bom fds!!!
Sensacional! Adorei e essa foto dá vontade de mergulhar nessas pipocas... hehe ;)
Beijo, beijoooooo queridona do meu coração!
She
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